quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Brasil se despede do gênio da flauta - ALTAMIRO CARRILHO

 

Parte uma parte do choro, que fica em lágrimas, enquanto o  som se vai...


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Altamiro Carrilho morreu nesta quarta, vítima de complicações pulmonares

 

Altamiro Carrilho morreu na manhã desta quarta-feira (15), vítima de câncer no pulmão. O músico e compositor estava internado na Clínica Ênio Serra, em Laranjeiras, desde o começo da semana, a mesma onde faleceu Cassia Eller. O músico será enterrado amanhã (16) em Santo Antônio de Pádua, município do interior do Rio de Janeiro, onde nasceu.

Com 87 anos de idade, Carrilho gravou mais de 100 discos e compôs cerca de 200 canções. Aos 5 anos começou a dedilhar a flauta de bambu que ganhou da mãe. Aos 11, em 1938, já fazia parte da banda de seu avô, a Lira Árion, tocando um instrumento de percussão, o tarol.

Em 1940, mudou-se para Niterói, trabalhou como farmacêutico e estudou com seu amigo e incentivador Joaquim Fernandes, flautista amador. Logo se inscreveu no programa de calouros de Ari Barroso, no qual conquistou o primeiro lugar. Tocando flauta, claro.

O músico entrou para o grupo de choro Regional do Canhoto em 1951, substituindo o artista Benedito Lacerda. Quatro anos depois, criou o conjunto Altamiro e Sua Bandinha e fez sucesso com o maxixe Rio Antigo, com mais de um milhão de cópias vendidas. Em Tempo de Música era o nome do programa comandado por sua banda, na TV Tupi, de 1956 a 58.

Carrilho exportou o choro para outros países nos anos 60 e na década seguinte tornou-se um dos flautistas mais solicitado para gravar com grandes nomes da MPB, como Beth Carvalho, Caetano Veloso, Elis Regina, Gilberto Gil, Jair Rodrigues e Nara Leão, entre outros.

Por seu desempenho, recebeu prêmios a exemplo do Troféu Villa-Lobos, o Prêmio Sharp de 1997 e em 1998, a Ordem do Mérito Cultural, do presidente Fernando Henrique Cardoso. O Titulo de Cidadão Carioca foi concedido em 2003 pela Câmara dos Deputados, junto àComenda da Ordem do Mérito Cultural da Magistratura pelos serviços prestados à cultura brasileira.

Os 70 anos de carreira fizeram de Altamiro um dos maiores instrumentistas da MPB. Considerado um gênio da flauta, grande nome do choro, dono de técnicas de vários estilos. Uma perda imensurável para o Brasil.

Pedro Rocha/Jornal do Brasil