quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Crise hídrica afeta atividade de três miniusinas na região

Fato: A atipicidade do clima está complicando a vida dos brasileiros.

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Baixa vazão dos rios faz centrais interromperem produção em alguns períodos


A baixa vazão dos rios da região já está afetando a produção de energia em três pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) instaladas em Pedreira e em Campinas. As usinas, que trabalham a fio de água, ou seja, não possuem reservatórios, têm interrompido a geração de energia nos horários em que a vazão é insuficiente. Essa situação é resultado do "racionamento" a que o Sistema Cantareira está submetendo a região de Campinas - por causa do baixo volume de água armazenado - ao menor nível dos últimos dez anos. Apenas 3 metros cúbicos por segundo estão sendo liberados.

Unidades em Pedreira e Campinas não possuem reservatório

A Usina Jaguari, em Pedreira, com capacidade instalada de 11,8 MW, utiliza o Rio Jaguari, enquanto a de Salto Grande, em Campinas, aproveita a água do Rio Atibaia e tem capacidade instalada de 4,6 MW. Essas duas usinas são administradas pela CPFL Renováveis. A outra usina que está interrompendo o trabalho por causa da baixa vazão do rio é a Macaco Branco, da CPFL Energia. Instalada na divisa de Pedreira com Campinas, ela também opera a fio de água, tem capacidade instalada de 2,3 MW e está sendo afetada pela disponibilidade hídrica do Sistema Cantareira e pela falta de chuva. A energia produzida por essas PCHs entram no sistema interligado nacional. Assim, mesmo que a geração seja afetada em alguns momentos, a distribuição não é comprometida.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que gerencia o Sistema Cantareira, solicitou à Agência Nacional de Águas (ANA) que, enquanto não houver recomposição do volume de armazenamento, respeite as vazões primárias definidas na outorga de 2004. Nesse acordo, feito há dez anos, foi estabelecido que a região de Campinas teria uma vazão primária de 3 m³/s e uma secundária, de 2 m³/s. A primária é o mínimo necessário para o abasteci-mento e a secundária uma espécie de reserva para ser usada em caso de necessidade.

Assim, com baixa vazão nesse período de altas temperaturas, as cidades terão que se virar com o que tiverem. O Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiai (PCJ) está orientando as cidades a emitirem alertas à população para que economizem água para enfrentar a estiagem atípica no período de chuvas.

O maior problema do Sistema Cantareira é que está entrando apenas 10,3 m³/s de água no conjunto de represas e saindo 34,2 m³/s - 3m³/s para a região de Campinas e 31,2 m³/s para São Paulo. "Nessa situação, o nível de armazenamento só vai diminuir. Não há como fazer milagre. Precisa chover na cabeceira dos rios, em Minas Gerais. Sem isso, será impossível recompor os reservatórios e tudo indica que não haverá água quando os meses tradicionais de estiagem, de junho a setembro, chegarem", disse o engenheiro ambiental Lincoln Azevedo.

Luta por água

A região de Campinas terá que conseguir mais 6 m³/s de água por segundo até 2020 para garantir o seu desenvolvimento. Sem isso, haverá problemas. Quase toda a água que passa nos rios das bacias hidrográficas da região é captada para abastecimento: para uma oferta por segundo de 38 m³ há uma demanda atual de 35,5 m³, o que já coloca a região perto do estresse hídrico e começa a comprometer investimentos.

Há muitas medidas sendo estudadas, mas a água que a região precisa vem do Sistema Cantareira, mesmo lugar de onde é retirada a água que abastece parte da Região Metropolitana de São Paulo. Aumentar a vazão para as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) significará tirar água de São Paulo. A renovação da outorga do Sistema Cantareira ocorre este ano, mas deverá garantir menos água do que a região propõe. Enquanto os comitês pediram 8 m³/s, a proposta da ANA e do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE) é de 7 metros cúbicos por segundo.
26,12
É o volume de água existente no Sistema Cantareira em relação à sua capacidade


Cantareira: volume é o mais baixo em 10 anos

Sistema Cantareira, maior e principal reservatório para o Abastecimento de Água das regiões de Campinas e de São Paulo, registrou ontem 26,16% de armazenamento. O volume é o mais baixo dos últimos dez anos e a consequência é a redução da vazão para a região de Campinas, para apenas 3 metros cúbicos por segundo (m³/s) - o mínimo necessário para permitir o abastecimento. Os rios estão baixos, e as cidades, em alerta. Jundiaí vai começar campanha junto à população para economizar e Campinas está atenta ao Rio Atibaia: se o nível baixar 45 centímetros, vai elevar o muro de pedras (enrocamento) para aumentar o represamento e, assim, garantir a captação. O coordenador do sistema de captação da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), Luiz Artime, disse ontem que o Rio Atibaia está com apenas 16 centímetros na área de captação. Se chegar a 30 cm, ou seja, se cair 46 cm, medidas emergenciais serão tomadas para elevar o rio no ponto de captação e garantir, assim, o abastecimento de 95% da cidade. O Atibaia é o principal manancial de Campinas e está recebendo apenas 2 m³/s do Cantareira - das represas até a captação ele recebe contribuição de outros rios e córregos e chegou ontem a Campinas com uma vazão de 9,52 m³/s. Em Vinhedo tem havido, desde o início de dezembro, interrupções de fornecimento por curtos períodos. São pequenos racionamentos de uma a duas áreas, quando há elevação do consumo, informou a Prefeitura. A cidade capta água no Córrego Bom Jardim e no Rio Capivari, que integram as bacias PCJ mas que não são dependentes do Sistema Cantareira - o sistema libera água nos rios Atibaia e Jaguari, que formam o Rio Piracicaba. (MTC/AAN)

Fonte: Correio Popular (SP)

Maria Teresa Costa
DA AGÊNCIA ANHANGUERA teresa@rac.com