terça-feira, 6 de setembro de 2016

Fanatismo - Soneto



Em tempos de formas e mais formas,  fontes  e mais fontes de informação, algumas coisas podem passar despercebidas.

Foi o que ocorreu comigo. Nunca peguei em qualquer publicação física de Florbela Espanca para ler de capa a capa.

Fiquei chocada quando descobri que a canção Fanatismo é a letra de um  Soneto de uma poetisa que tanto aprecio.

Fiquei mais chocada ainda em perceber que não consigo ver, ler e absorver as coisas que mais gosto e, confesso, senti muita saudade da leitura fora do celular, do pc ou do tablet. 

Ler, nos exigia investimento de grana (ou de lábia, para pegar aquele livro show emprestado), de tempo e de memória-reflexão. 

Hoje, os E-books são mais baratos. Posso associar mais rápido, fazer pesquisas instantâneas, gravar no cartão de memória, mas, e aí? E aí, somos interrompidos pela chamada de voz, do sms, do zap, do face.  Se não houver disciplina, foi-se para a lixeira o precioso momento de reflexão.

Definitivamente, preciso, não só ler mais, mas ler melhor, com mais atenção, separando um momento para esse prazer. Vida longa aos livros!

Boa leitura (se não tem esse hábito, cultive), curta a canção (vídeo a seguir), que é f-a-n-t-á-s-t-i-c-a em melodia, arranjo e a peculiar voz de Fagner. Não estranhe a homenagem ao Rei RC.



Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

Livro de Soror Saudade, 1923