segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Comer, Rezar e Amar




Após anos de resistência, assisti ao filme "Comer, Rezar e Amar", que narra a travessia em busca da paz interior da escritora Elizabeth Gilbert.

Minha resistência se deu, em parte, por ser baseado em uma auto-biografia e, particularmente, não curto.

Não deu outra.

Vi como por um espelho os meus  próprios medos, frustrações e confusões relacionais. A diferença é que criei mais raízes ainda, tornando-me, penso, inamovível  E ela "pegou o beco" para tentar se encontrar.  E meu apelido jamais seria "Armazém".

Bem, relações são difíceis. É preciso paciência, cumplicidade e uma constante outorga de direito de uso da vida, do tempo e do espaço. Sem esse último, as relações estarão fadadas ao insucesso.

Refleti sobre várias temáticas pessoais durante o filme, principalmente, sobre Cumplicidade, Amor e Perdão.

Certa vez alguém me disse que marido e mulher não são amigos. Considerei isso como uma douta verdade. Não são amigos. São cúmplices. Na alegria, na saúde, na riqueza e em todos os seus antônimos. Para mim, cumplicidade e amizade, nessas relações, são  palavras diferentes.

Amor. Ao narrar minhas desventuras em série, fui questionada se era amor. Mas deixei de querer  e ser eu mesma nessas relações. Como poderia ser? Sinceramente? Uma única vez me senti amada e respeitada. Todas as outras relações foram de percalços extremos e estranhos. Em função disso, assumi a resistência em querer fazer uso da minha mente e meu corpo para dar prazer a alguém, por amor. 

Isso leva-me ao perdão. Tem uma cena do filme  Sex and the City, onde a personagem  Miranda perde perdão a Carrie, e esta lhe diz que ela deveria perdoar o seu marido, Steve.  Miranda se justifica dizendo que é diferente. Carrie faz sua réplica dizendo que perdão é perdão. E é.

Perdão é perdão, não importando o tamanho da dificuldade. Perdão é perdão não importando se fui eu ou você, ou ambos. E perdoar-se a si mesmo talvez seja mais difícil que perdoar ao outro.

Não fui longe. Aliás, não fui a lugar algum para comer, rezar ou amar.  Não sei se sou menos ou mais feliz por isso. Só sei que a vida segue, e não sem dúvidas. Só que atormentam menos, pois me tornei, dizem, mais seletiva e exigente. O fitro ficou mais fino. Como menos, rezo menos e amo menos

Talvez alguém venha a se perguntar se sou feliz. Sou, não o tempo todo, mas sou. Resguardadas as devidas proporções e momentos, sou feliz,  só ou acompanhada. Não tenho necessidade de alguém que me complete, mas de alguém para ser parceiro, cúmplice desse escambo, permuta, preferencialmente sem tantos confrontos.

Se quiser conhecer essa história, sugiro que leia o livro. Aliás, para filmes baseados em livros, sempre os leia antes. Será mais gratificante e sua viagem será mais longa, mas também mais produtiva.

Cultive a cumplicidade, ame e perdoe. Ou coma, reze e ame. Quer  mudar a ordem das ações? Mude. Você escolhe! Só seja você mesma(o) e seja feliz.

Boa semana!!



Magda