segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Sono das Águas - Guimarães Rosa




Atualizado em 21/02/2017 - 15h29

Estamos em 2017. às vésperas do feriadão prolongado cobiçadíssimo pelos mortais brasileiros. 

Porém, nem só de folia, vive o brasileiro. Temos Lava-Jato, Temer, Lula, Restrições Hídricas, greve de serviços essenciais e "otras cositas más".

A bola da vez ainda é a água! A boa  H20 ... Aquele recurso que lava corpo, sustenta a alma, fazendo o sangue chegar aonde precisa, dessedentando homens e animais. Recurso pra plantar,  pra criar, pra gerar energia, pra construir, pra navegar, enfim, pra processos variados.  

E quando ela se ausenta, é um "Deus nos Acuda".  Nem flash mob indígena dá conta de trazê-la de volta, só nos restando esperar... e esperar... e esperar...

E ela está voltando, antes tímida, agora com um pouco mais de ânimo... chove desde sábado na Capital Federal. E que alegria! A vida já começou a ficar melhor...

Onde será que ela estava dormindo? 

Poesias a parte, tudo isso é muito sério. Falando em Distrito Federal, corremos o risco não só de desabastecimento, mas de ter dois reservatórios vazios. O poder público tomou a frente e hoje estamos no revezamento de banhos. Brincadeira sem graça, não? E é mesmo.

Não tenho graça o aperto pelo qual o NE passa em função de estiagens tão prolongados. Aí, chove num canto, e não chove no outro. E no Sudeste? Inundação num canto, sem água no outro. A grosso modo é isso: não temos ingerência. Ela virá alada, dando vida ao solo ressequido, quando lhe aprouver.

Minha sugestão: leia sobre o assunto. Acompanhe aquilo que é tão importando pra você e para seus filhos. A partir disso, seja consciente. Economize. Gerencie o seu gasto, não somente em função do custo efetivo, mas pelo bem desse recurso tão precioso. #ficaadica.

Bora poemar um pouquinho?


Há uma hora certa,
no meio da noite, uma hora morta,
em que a água dorme.

Todas as águas dormem:
no rio, na lagoa,
no açude, no brejão, nos olhos d’água,
nos grotões fundos.

E quem ficar acordado,
na barranca, a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…

Águas claras, barrentas, sonolentas,
todas vão cochilar.
Dormem gotas, caudais, seivas das plantas,
fios brancos, torrentes.

O orvalho sonha
nas placas da folhagem
e adormece.

Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…

Mas nem todas dormem, nessa hora
de torpor líquido e inocente.

Muitos hão de estar vigiando,
e chorando, a noite toda,
porque a água dos olhos
nunca tem sono…

Guimarães Rosa