quinta-feira, 20 de julho de 2017

Ilumine-se e Dance


Ilumine-se!
Dance!
Baile!
Rodopie!
Transcenda 
o palco
e dance
para o mundo:
o Seu mundo!

Ellie-Violet

💞💞💞💞💞💞

Luz X Sega


Luz x Sega

Empregar-lhe vida,
Amar com devoção,
Sentir açoitar o coração.
Que tange forte, incendeia,
E deixa longe essa candeia,
Que só propala a escuridão.

Ellie-Violet

Fragmentos de Dor





💔
Eu desisti da escuridão.
Vamos à sega, 
Desocupar a terra,
Remendar o coração. 
💔
Ellie-Violet

#Oremos



#Oremos, porque tá tenso!!
Chame o Pai, seu Buda, orixá, mentor, druida, mestre, mago, ou o que sua crença/filosofia te aconselhar, mas ore, se abra, mande bons fluídos e energia. 
O universo agradece e a gente também!
🌞🌞🌞🌞🌞

Permita-se ser o que quiser nessa vida, menos infeliz





🌿🌸💙🌞💙🌸🌿

Antônimos nem sempre refletem a realidade do 'contra' na vida. Isso é só gramática.
Exemplo: o contrário de 'amor' não é 'ódio', é a indiferença. Ou o de preto é branco. Será?
O contrário de ser feliz é não ser feliz.
Ser infeliz é outra história...
Excelente tarde a todos!
🌿🌸💙🌞💙🌸🌿

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Feliz "Dia do Rio" - Restrições de Usos na Bacia do Rio São Francisco entraram em vigor ontem

Bom dia, Pessoal!

Novidades no âmbito da Bacia do Rio São Francisco: A Agência Nacional de Águas - ANA deliberou, por meio da Resolução ANA nº 1043, de 19 de junho de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 20 de junho de 2017, restrições de uso na bacia.

Vide texto, mas o resumo da ópera é: 1) captações, às quartas-feiras, somente para consumo humano e dessedentação animal; e 2)  nada de irrigação. Isso mesmo, o ato de irrigar, neste dia está proibido, ainda que se tenha água previamente acumulada.

Feliz Dia do Rio! Lembrem-se: é para uma boa causa!

§-§-§-§-§

"O DIRETOR-PRESIDENTE DA AGÊNCIA DE ÁGUAS-ANA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 103, incisos III e XVII, do Regimento Interno aprovado pela Resolução nº 828, de 15 de maio de 2017, torna público que a DIRETORIA COLEGIADA, em sua 660ª Reunião Ordinária, realizada em 19 de junho de 2017, com fundamento no disposto no art. 7º da Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, e nos elementos constantes do processo nº 02501.001340/2017-99;
Considerando a grave situação de escassez hídrica ocorrente na bacia do rio São Francisco desde 2013, caracterizada pelas baixas precipitações com prejuízo para a reposição do estoque de água dos reservatórios;
Considerando que medidas para a redução das defluências dos reservatórios da bacia têm sido adotadas desde 2013, com o objetivo de conservar os estoques de água desses reservatórios visando ao atendimento dos usos múltiplos;
Considerando que as afluências para o reservatório de Sobradinho no período úmido 2016/2017 foram as piores do histórico já registrado e que há dúvidas sobre o comportamento do próximo período chuvoso, aumentando a necessidade de se preservar os volumes estratégicos nos reservatórios e aumentar a segurança hídrica da bacia;
Considerando o entendimento dos Estados que integram a bacia do rio São Francisco da necessidade de restrição de uso neste cenário atual de crise hídrica na bacia;
Considerando o disposto no art. 1°, inciso III, da Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que estabelece que em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais; e
Considerando o disposto no art. 15, inciso III, da Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que estabelece que a outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa parcial ou totalmente, na circunstância de necessidade premente de água para atender a situações de calamidade, inclusive as decorrentes de condições climáticas adversas.
Resolveu:
Art. 1º   Estabelecer, tendo em vista a situação de escassez hídrica na bacia, o Dia do Rio como medida de restrição de uso para captações em corpos d’água superficiais perenes de domínio da União na bacia hidrográfica do rio São Francisco que ainda não estejam submetidas a outras regras de restrição de uso mais restritivas, conforme mapa anexo.
§ 1º      O Dia do Rio acontecerá às quartas-feiras, até 30 de novembro de 2017.
§ 2º      A medida poderá ser prorrogada caso se observe atraso no início do período de chuvas na bacia do rio São Francisco.
Art. 2º   No Dia do Rio ficam suspensas todas as captações realizadas nos corpos hídricos definidos no art. 1° desta Resolução, exceto para consumo humano e dessedentação animal, bem como as aplicações de água para irrigação, mesmo que oriundas de volumes reservados previamente.
§ 1º      O disposto no caput deste artigo também se aplica aos usos de água para irrigação localizados em distritos, perímetros, projetos ou outras infraestruturas de irrigação que possuam captação nos corpos hídricos definidos no Art. 1º desta Resolução.
§ 2º      Caso a captação seja compartilhada com outros usos, somente será permitido o uso para consumo humano e dessedentação de animais.
Art. 3º   O não cumprimento do disposto nesta Resolução será considerado infração e ensejará a aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente, incluindo embargo, lacre e apreensão de equipamento e aplicação de multas.
Parágrafo Único. A fiscalização poderá exigir a instalação de equipamentos de medição e/ou a adoção de outras medidas com o objetivo de permitir a verificação do atendimento ao disposto nesta Resolução.
Art. 4º   A Agência Nacional de Águas promoverá a ampla divulgação desta Resolução.
Art. 5º   Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
                                               
                                               VICENTE ANDREU 


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Feliz Dia Sem Namorado. Mas, vamos mudar isso?




Hoje eu arrisco que dizer que ser feliz é muito mais que dar, sem piadinhas e sem querer contestar  Atos 20. É também receber.  

Dar, é confortável. Nos faz felizes. Não cria expectativas quanto ao retorno. Ao menos, não para mim.

Dar não incomoda.

Eu diria que é um bem-estar tremendo estar desse lado, pois sou do tipo que gosta do corredor dos ônibus e das aeronaves, para não incomodar os outros passageiros. Prefiro que eles fiquem confortáveis. O meu conforto é o conforto alheio.

Receber, porém, é mais difícil. Avermelhamos, no meu caso.   

Receber, ainda, pode ser constrangedor, pois ficamos sem saber onde nos enfiar. Ah! Quão felizes são os avestruzes, que pressentem as vibrações no chão e se fingem de arbusto.

Por isso quero salientar é que receber é uma arte. Ficar feliz com o que se recebe, uma aventura. Contentar-se, uma proeza. Afinal, quem recebe, tem expectativas em dois momentos. O “tenho algo para lhe dar” coloca os sentidos em alerta e o “o quê/quanto darei em retorno”, uma preocupação. Mas isso não precisa ser traumático.

Porque esse assunto? São Valentim, Pessoal! Tudo bem que isso é coisa da Idade Média, mas tem perdurado até hoje e, querendo ou não, muitos não passarão incólumes. 

Acho importante frisar que curto as datas comemorativas, mas, mais em termos de reflexão.

Um porém: esse bate-papo é mais voltado para quem está sozinho(a) e muito fechado em si mesmo(a).

Paralelo a isso, penso ser difícil encontrar alguém que se encaixe com o nosso perfil em todos os cômodos da casa, mas, digo também, não ser impossível alguém que o queira e ainda que queira muito.

Por favor, não tomem a expressão encaixar como algo pejorativo. Não é uma ação restritiva, à qual as pessoas se adequam e se perdem na vida umas das outras. Ela é necessária, afinal, somos diferentes, com criações diferentes, prioridades diferentes e demônios diferentes. Assustaram-se? Mas é verdade.  Nos só vemos parte do que somos, e os outros veem menos ainda. Então, a maleabilidade realmente precisa fazer parte da nossa rotina, tanto quanto a eventualidade.

O “ser receptivo” é importante para alguém se encaixar e são necessários, ao meu ver: 1) saber receber com afeto quem está entrando, de mansinho ou abruptamente (um “devagar com o andor” pode ser necessário); 2)  abrir essa porta com alegria, como se fora a do próprio coração (e não seria?).

Não precisa da opulência de um tapete vermelho. Precisa-se da simplicidade no acomodar este ser que às vezes está tão apavorado quanto você. Cabe relembrar que as situações se diferem e, com o tempo, o jogo pode ser invertido, onde então, você é quem deverá fazer essa trajetória.

Disse em outros textos, e repito: não sou uma pessoa subserviente, mas gosto de servir, de ser útil, o que me atrai muito mais que ser servida ou ajudada. Um exemplo: Sou requerida no trabalho pelo conhecimento institucional e por como repasso isso às pessoas que precisam. Ali é mais fácil controlar. 

Mas, o bom mesmo é dar e receber. Aptidão para a boa medida nos dois eixos e aí, sim, você terá uma chance de experimentar o lado mais pleno da vida e ser feliz. Talvez não para sempre, mas agora, hoje, ou num amanhã menos distante.

Essa é mais uma partilha:  tem sido um aprendizado para mim, sair da não recepção e da não parceria, pois estar sozinha se tornou um hábito escandalosamente bom, apesar de não tão saudável. Mas “quando um certo alguém, cruzou o ‘meu’ caminho e mudou a direção”, abri mão desse conforto, e não tem sido fácil. Não pensem que ganhei essas batalhas com louvor, pois a maioria das ações foi no limite do limite... Quem me conhece sabe dos meus níveis de ansiedade, intensidade e das minhas chatices. Mas prossigo tentando. Desistir de amar e de ser feliz ao lado de alguém já saiu dos planos.

Se alguém bater à porta, não percam a oportunidade que vocês têm de usufruir das sensações e dos desejos que o amor traz consigo. E, se der medo, vão com medo mesmo.  Foi o que fiz.

Feliz 12, 13, 14, 15 de junho a todos!

Magda



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Al Green - How Can You Mend a Broken Heart (Live on Soul!, 1972)


Me abana! Que interpretação fabulosa, divina! Amei!
Al Green + Irmãos Gibbs = assista para entender.
Viva a globalização, a internet, o Youtube, que nos possibilitam  reconhecer como o ano de 1970 foi extraordinariamente rico!
A propósito, também sou de 70. Faz todo o sentido! rsrs


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu, Caminhante


Compartilhei uma mensagem no Face ontem, mais especificamente uma frase de Martha Medeiros, que me pareceu bem lógica. Entretanto, quando digo lógica é porque há um vínculo situacional comigo.

Obviamente ela foi escrita dentro de um contexto, como tudo o que pensamos, sentimos, exploramos e colocamos para fora sob forma seja lá do que for.

Primeiramente, não se trata de uma explicação, mas da necessidade de entendimento próprio, do que penso, sinto e, como sempre, gosto de compartilhar. Não que meu sim não possa virar não, ou meu não, um sim. Posso mudar de opinião, reavaliar conceitos, e isso é salutar. Só existe um lugar onde vocês não me encontrarão: em cima do muro, afinal, levo Dante Alighieri e João, do Apocalipse, muito a sério.

Sempre tive comigo a ideia de que o caminho é mais importante do que a partida ou a chegada. Na partida, deixamos. Na chegada, entregamos. A caminho, aprendemos.  Não importa o quê e não importa quantos destinos eu tenha que seguir. Gosto de caminhar.

Nesse caminho aprendo que desviar para esquerda ou para direita não é aceitável. Alto lá! Quem disse? Ei, o caminho é meu. Tenho sensibilidade suficiente para enxergá-lo e para administrar as consequências. Posso parar e descansar? Posso! E devo. Posso retroceder? Posso, também, e o quanto for necessário para sentir-me confortável novamente e prosseguir viagem.

Nesse caminho também aprendo a respeitar e a conviver. Mão inglesa não vale e estamos na Terra Brasilis. Isso me lembra as escadas da Rodoviária de Brasília. Oiê, com licença, posso subir/descer? Obrigada. De nada. Há muitas pessoas indo e vindo. Meu local de partida pode ser o destino de alguém, não é mesmo? São os encontros e desencontros. Bons ou ruins, eles fazem parte, quer queiramos ou não.

Nesse caminho aprendo, inclusive, que talvez aconteçam coisas que me deixem a margem do meu objetivo, que é vivenciar esse trânsito. “Não há vento ou tempestade(s) que te impeçam de voar” é pura e linda poesia. Vejam bem: eu tenho sensibilidade, sou forte dentro da minha força, mas nem todos caminhos que precisarei trilhar, ainda que conhecidos, serão permanentemente seguros. É Flórida, mas é verdade. Tenho o direito de desistir ou posso simplesmente ter que “passar o bastão”, o “anel de bamba”, enfim, precisar de alguém que me suceda. Mas isso não significa que não terei sido intensa ou completado a minha parte, a minha carreira. Fui até onde consegui ou me foi permitido.

Esse caminho também mostrará que nem sempre deixar um legado é sinônimo de ser lembrada(o), ou se preferirem, um não esquecida(o), quer eu chegue ou não aos meus destinos. Deixar a minha marca expressiva e latente não garante subsistência da minha memória nem aos que me são próximos.  Não que sejamos úteis só quando estamos aqui, ou que se trate de desmerecimento sumário. É somente porque a vida segue e isso é mais que natural.

Voltando à frase de Martha Medeiros, ela diz o seguinte: “Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos aonde queremos.”

Percebem a diferença sobre tudo o que disse anteriormente? Pois é. Foi e é situacional. E fases podem durar bastante tempo.

Tenho vivenciado um relacionamento a distância depois de muito tempo sozinha e depois de ter que sair de detrás de muros, principalmente, mentais. Perdi segurança e equilíbrio e confesso que repasso, todas as noites, cada momento usufruído e tento manter esperança de tê-los em maior escala e quantidade.

Trata-se de um momento de estagnação onde, mesmo que eu queira, a intimidade se difere do normal. O diálogo não traz a mesma carga necessária de tranquilidade ou desabafo ante os problemas que, convenhamos, todos temos. A partilha não se desenvolve. O colo não existe, mesmo que eu precise muito. E creiam-me, não tem sido fácil. O transitório não me assusta, mas, sim a inércia que ele pode vir a produzir, seja por acomodação, insegurança ou desconforto. Quase um descaminho.

Estou tentando o caminho para uma relação saudável. Esse é o meu mais novo desafio, depois de muitas situações não legais. Ando, engatinho, ando de novo. Preciso aprender muito mais do que pensei e ter uma paciência de Jacó, principalmente com os dois fatores mais que preponderantes: tempo e distância. Mas está valendo. Não sou tão forte, mas também, não tão fraca.


Por ora, sigo amando. Muito.

Magda Pêgo

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Oração



Um Pedido a Deus, ao Tempo e aos Amigos
A Deus, que me dê mais e mais amigos;
Ao tempo que passe devagar; e 
Aos amigos que não linguem se Deus 
ou o tempo nos afastar!

Amém!

ANÁLISE - Fernando Pessoa


Tão abstrata é ideia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perco-os de vista
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente
E a ideia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

Fernando Pessoa, Dezembro/1911
(O Eu Profundo e os outros Eus)
 

Dá-lhe, Cespe!!

Postado em 9/9/2010 10:06:16, no Space
(Cespe /DESO 2003) As relações humanas eficazes ensejam
a habilidade de reconhecimento das diferenças individuais, e quando
estas forem consideradas negativas no contato inicial, deve-se evitar
o relacionamento para coibir futuros conflitos.

Item errado. Quando as diferenças individuais forem
consideradas negativas em um contato inicial as pessoas devem
tentar compreender os motivos do outro e criar estratégias para
contornar os possíveis conflitos decorrentes de tais diferenças e não
abandonar o relacionamento.


Faz Parte - Mafalda Veiga


 *** 
Trazes a vida nos braços
Pousas o mundo no chão
Largas os medos na entrada
E desmontas cada peça
De que é feito o coração

 Deixas lá fora o cansaço
Desarmas a solidão
Brindas sonhos ao relento
Como quem junta os pedaços
Entre a loucura e a razão

Faz parte ser um pouco perdido
Faz parte começar outra vez
Faz parte ir atrás dos sentidos
E voar a sentir o mundo na ponta dos pés

Guardas a vida nos braços
Pousas os dias no chão
Brindas sonhos ao relento
Como quem junta os pedaços
De que é feito o coração

Trazes o tempo desfeito
No que procuras em ti
Se olhares no fundo do peito
Saberás quem és
Mesmo até ao fim

Rosa vermelha Mafalda Veiga Rosa vermelha

Ditos, Ditos de Outras formas


"O fruto da piperácia sabe a colírio para alheios globos oculares."

Por não estarem distraídos - Clarice Lispector



"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. "


Clarice Lispector

PAI


Postado originalmente em 7/8/2010, no Space
Nos últimos dias o foco da família voltou-se para minha mãe, Maria Augusta. Dias difíceis, principalmente, para quem está mais próximo, como minha irmã, Cida, que, em virtude também da passagem do tempo, tem lá os seus problemas.
Ainda assim,  são quatro gerações: bisavó, avó, neta e bisneta.  Cada qual com uma questão afeta ao seu momento.
Alguns podem dizer que isso foi permitido pelo tempo e que ele não fora tão implacável assim. Tá valendo, já que Deus é Senhor também do tempo! Foi uma linda permissão.
Nosso pai Ã© falecido há tempos, mas nos agarramos aos que temos perto (e longe!) e, entre erros e acertos, conseguimos manter os laços familiares fortes e extensivos. Se ele estivesse vivo, chamaria a Rafaela de “perereco do vovô”. Foi a forma carinhosa como ele se referiu  à primeira neta, Sâmya, quando ela nasceu.
Aos Amigos que têm filhos, fica o meu abraço e o desejo de que cada novo dia seja especial, com laços muito, muito fortes para que as próximas gerações carreguem tudo o que há de melhor de vocês. Mas, reparem... Eles crescem muito rápido.
Aos filhos, desejo um próspero relacionamento... Será infalível para uma vida abençoada e frutífera. Isso é bíblico e é uma promessa... Mas, reparem... Eles não viverão para sempre.
Aos filhos cujos pais já se foram, adotem um. Tenho certeza que ambos ficarão muito felizes. Reparem... Sempre tem um pai desfilhado pronto para dar carinho.
Como homenagem, deixo um texto de Martha Medeiros.
Espero que gostem. Grande abraço!!
 ****
Pais heróis e mães rainhas do lar. Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada. O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra? Fizeram 60, 70, 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado para isso. Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas.
Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que para isso recorram a uma chantagenzinha emocional. Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina.
Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis.
Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi.
Essa nossa intolerância só pode ser medo.
Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.
Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais e que um dia irão partir sem nós.

Martha Medeiros

Vida que segue




*Postado em 30/07/2010, no Space*

Planejei muitas coisas... Estudos, mudanças, rememorações, reverberações das audíveis palavras que disse a algumas pessoas.

Nada se confirmou. Nada se concretizou. Os planos, mais uma vez, não eram os meus.

Silenciaram-se os  livros, a minha própria voz e, parece-me, que todo o resto.

Nada ouvi além dos meus próprios ruídos, oriundos dos medos, esses, os mais variados.

Cá estou na tentativa de suplantar o tempo passado em um presente sem novas ou grandes expectativas, pois “estou” mediana.  Não morna. Não em cima do muro. Só estática. Imóvel.  

Ontem me atrevi a dar os primeiros passos...   Achar o caminho  dentro do navio... Voltei-me para a popa, para a proa. Desci,  subi ao convés.

Posta à prova, só me resta um lugar onde não me atrevi a ir, mas sei que preciso. Afinal, saber onde fica o comando é necessário.

Lá não verei nada além do infinito, mas  gostaria de entender o significado de tamanha imensidão e que, definitivamente, o controle não é meu.

Dito isto, continuarei singrando os mares.

Vida que segue...


VIA LÁCTEA - Olavio Bilac



Interessante...
Ouvimos muito mais quando amamos...
Estrelas... pessoas... 
A percepção nos remete até ao que não pretendemos ouvir, mas precisamos, pois algo depende desse entendimento.
O que é o algo?
Cada um sabe (ou saberá) do seu!



******

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

(Olavo Bilac)

Quinto Motivo da Rosa - Cecília Meireles



Antes do teu olhar, não era,
nem será depois, - primavera.
Pois vivemos do que perdura,

não do que fomos. Desse acaso
do que foi visto e amado:- o prazo
do Criador na criatura...

Não sou eu, mas sim o perfume
que em ti me conserva e resume
o resto, que as horas consomem.

Mas não chores, que no meu dia,
há mais sonho e sabedoria
que nos vagos séculos do homem.


(Cecília Meireles)

Poema de Despedida

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempoE recebi mais do que pude dar.
Agora vai raiando o dia
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o coração confiante.


Rabindranath Tagore

Ser Mulher



Ser mulher é viver mil vezes em apenas uma vida, é lutar por causas perdidas e sair sempre vencedora; é estar antes de ontem e depois de amanhã, é desconhecer a palavra recompensa apensas de seus atos.


Ser mulher é caminhar na dúvida cheia de certezas; é correr atrás das nuvens num dia de sol e alcançar o sol num dia de chuva. 


Ser mulher é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza; é cancelar sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita; é esperar quando ninguém mais espera. 


Ser mulher é identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa; é ser enganada e sempre dar mais uma chance; é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda. 


Ser mulher é estar a mil lugares de uma só vez; é fazer mil papéis ao mesmo tempo; é ser forte e fingir que é frágil para ter um carinho. 


Ser mulher é comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever; é construir castelos na areia, vê-los desmoronando pelas águas e ainda assim amá-las. 


Ser mulher é estender a mão a quem ainda não pediu; é doar o que ainda não foi solicitado. 


Ser mulher é não ter vergonha de chorar por amor; é saber a hora certa do fim, é esperar sempre por um recomeço. 


Ser mulher é ser mãe dos seus filhos e dos filhos dos outros e amá-los igualmente; é ser nova quando o coração está a espera do amor, ser crescente quando o coração está se enchendo de amor, ser cheia quando ele já está transbordando de tanto amor e minguante quando este amor vai embora. 


Ser mulher é hospedar dentro de si o sentimento de perdão; é voltar no tempo todos os dias e viver, por poucos instantes, coisas que nunca ficaram esquecidas. 


Ser mulher é cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar as suas próprias feridas sangrando. 


Ser mulher é ser princesa aos 20, rainha aos 30, imperatriz aos 40 e especial a vida toda. 

Ser mulher é saber ser super-homem quando o sol nasce e virar Cinderela quando a noite chega. 


Ser mulher é, acima de tudo, um estado de espírito; é uma dádiva; é ter dentro de si um tesouro escondido e ainda assim dividi-lo com o mundo.
(Desconhecido)