segunda-feira, 29 de maio de 2017

Eu, Caminhante


Atualizado em 03 de novembro de 2017, às 17h06.

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Compartilhei uma mensagem no Face, mais especificamente, uma frase de Martha Medeiros, que me pareceu bem lógica. Entretanto, quando digo lógica é porque há um vínculo situacional comigo.

Obviamente ela foi escrita dentro de um contexto, como tudo o que pensamos, sentimos, exploramos e colocamos para fora sob forma seja lá do que for.

Primeiramente, não se trata de uma explicação, mas da necessidade de entendimento próprio do que penso, sinto e, como sempre, gosto de compartilhar. Não que meu sim não possa virar não, ou meu não, um sim. Posso mudar de opinião, reavaliar conceitos, e isso é salutar. Só existe um lugar onde vocês não me encontrarão: em cima do muro, afinal, levo Dante Alighieri e João, do Apocalipse, esses cabeças, muito a sério.

Sempre tive comigo a ideia de que o caminho é mais importante do que a partida ou a chegada. Na partida, deixamos. Na chegada, entregamos. A caminho, aprendemos.  Não importa o quê e não importa quantos destinos eu tenha que seguir. Gosto do caminhar.

Nesse caminho aprendo que desviar para esquerda ou para direita não é aceitável. Alto lá! Quem disse? Ei, o caminho é meu. Tenho sensibilidade suficiente para enxergá-lo e para administrar as consequências. Posso parar e descansar? Posso! E devo. Posso retroceder? Posso, também, e o quanto for necessário para sentir-me confortável novamente  para recomeçar ou seguir viagem.

Nesse caminho também aprendo a respeitar e a conviver. Mão inglesa não vale e estamos na Terra Brasilis. Isso me lembra as escadas da Rodoviária de Brasília. Oiê, com licença, posso subir/descer? Obrigada. De nada. Há muitas pessoas indo e vindo. Meu local de partida pode ser o destino de alguém, não é mesmo? São os encontros e desencontros. Bons ou ruins, eles fazem parte, quer queiramos ou não.

Nesse caminho aprendo, inclusive, que talvez aconteçam coisas que me deixem a margem do meu objetivo, que é vivenciar esse trânsito. “Não há vento ou tempestade(s) que te impeçam de voar” é pura e linda poesia. Vejam bem: eu tenho sensibilidade, sou forte dentro da minha força, mas nem todos caminhos que precisarei trilhar, ainda que conhecidos, serão permanentemente seguros. É Flórida, mas é verdade. Tenho o direito de desistir ou posso simplesmente ter que “passar o bastão”, o “anel de bamba”, enfim, precisar de alguém que me suceda. Mas isso não significa que não terei sido intensa ou completado a minha parte, a minha carreira. Fui até onde consegui ou me foi permitido.

Esse caminho também mostrará que nem sempre deixar um legado é sinônimo de ser lembrada(o), ou se preferirem, um não esquecida(o), quer eu chegue ou não aos meus destinos. Deixar a minha marca expressiva e latente não garante subsistência da minha memória nem aos que me são próximos.  Não que sejamos úteis só quando estamos aqui, ou que se trate de desmerecimento sumário. É somente porque a vida segue e isso é mais que natural.

A  frase de Martha Medeiros, diz o seguinte: “Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos aonde queremos.”

Percebem a diferença sobre tudo o que disse anteriormente? Pois é. Foi e é situacional. E fases podem durar tempos.

Vivenciei,  por pouco tempo um relacionamento a distância, depois de muito tempo sozinha e depois de ter que sair de detrás de muros, principalmente, mentais. Perdi segurança e equilíbrio e confesso que repassei as situações vividas.  Perto ou longe: tudo é complicado.

Houve um momento de estagnação onde, mesmo que eu quisesse, a intimidade se diferia do normal. O diálogo não trouxe a mesma carga necessária de tranquilidade ou o desabafo ante os problemas que, convenhamos, todos temos, também não. A partilha não se desenvolveu. O colo não existiu, mesmo que eu quisesse. 

Deixo claro que o transitório não me assusta, mas, sim a inércia que ele pode vir a produzir, seja por acomodação, insegurança ou desconforto. Quase um descaminho. Sai de um ponto, mas não cheguei a ponto algum.

Estou tentando o caminho para uma relação saudável. Saudável para mim, primeiramente.  E, à distância, não é lega e desafiador, depois situações adversas. por isso, confesso as dificuldades e erros. Hoje, preponderantes, mesmo, são a paciência (que não exercito bem) e a intimidade (que também não exercito bem). Pra entrar no meu mundo ou eu entrar no mundo de alguém vai ser muito difícil. 

Mas, convenhamos: o nosso mundo é muito bom. Nosso espaço, nossas manias, nossas coisas materiais/domésticas mesmo. Talvez eu não saiba dividir isso com alguém quem por porventura queira dormir de conchinha comigo. Só isso.

Por hora, vida que segue!

Magda Pêgo